Conversa viva - páginas 17- 28

O texto do programa «Consciência e Personalidade. Do inevitavelmente morto para o eternamente Vivo.» editado por Anastasia Novih. (Observação, a redução do texto: a apresentadora Tatiana – T; Igor Mikhailovich – IM, Jáná – J; Volodia – V; Andrei – A).

00:58:59 – 01:35:57

IM: Em geral, nas práticas espirituais das diferentes religiões presta-se uma especial atenção ao tema de livrar-se das imagens ilusórias. Ou seja, no cristianismo, no islamismo, no budismo, e em religiões mais antigas apontavam que não deve haver nenhuma imagem, tridimensional quero dizer, especialmente nas práticas espirituais.

J: Sim, aqui há uma diferença. Quando, digamos, tu pela primeira vez ouves ou lês sobre isso, e a  consciência indigna-se, dizendo: «Como assim?! Porque não tem de haver nenhuma imagem?!». E é completamente outra coisa, quando tu sabes isso na prática, quando tu já tens a tua compreensão pessoal sob a forma de experiência, porque é que isso acontece exatamente dessa forma.

T: Ou seja, todas estas referências na literatura religiosa tornam-se claras, quando tu próprio praticas.

J: Sim, é exatamente a experiência que dá a compreensão, e tu já não sabes isso dos rumores, que tipo de fenómeno é este e como eles te afastam do mais importante. E menções disso há suficientes. Por exemplo, o antigo tratado persa do sufismo – o livro Al-Hudjviri, que se chama «Revelação do velado (escondido)». Existe uma expressão do teólogo islâmico do século IX, Junaedi Al Baghdadi, na qual se diz: «Se Deus me dirá: «Olha para Mim», eu lhe responderei: «Não olharei para Ti», porque, no amor, o olho é diferente (não Deus)... Neste mundo, para mim tornou-se hábito vê-Lo (Deus) sem a ajuda dos olhos, então teria de recorrer a esse intermediário no outro mundo?»

E o que é interessante, quando tu já na prática compreendes isso, que para tu sentires Deus no fundo da alma, nem os olhos, nem a habitual audição terrestre, nem qualquer imagem ilusória tridimensional não é preciso. Porque isso são como interferências da consciência, do sistema. É aquilo que dificulta...

IM: Sim.

T: E no cristianismo também há muitas coisas mencionadas sobre isso. Para que a pessoa não se sinta atraída de imaginar a espiritualidade. E os santos padres avisavam, que a mente pode, por si só ter o poder de sonhar, pode muito facilmente criar imagens fantasmagóricas, e para não nos prejudicarmos com ela (mente), é preciso guardar a mente incolor e sem imagens. Por exemplo, no próprio livro «Filocália» no quinto volume, Gregoriy Sinait...

IM: ... Bem, para aqueles, que não sabem, foi um santo ortodoxo do séc. XII, que renovou a prática da oração de Jesus no monte Atos.

T: Sim, correto, ele foi um dos primeiros hesicastas... Ele também escrevia, que quando fazes a ação (oração), tu verás luz ou fogo, não importa... fora ou dentro de ti, ou algum rosto – Jesus, por exemplo, ou um Anjo, ou outro qualquer, não o aceites, para não te prejudicares. E tu próprio não cries imaginações, e àquelas que sozinhas se criam, não dês atenção a essas, e à mente não deixes que as imprime em ti, porque tudo isso, sendo de fora imprimido e imaginado, serve como tentação da alma.

IM: Muitos santos, ainda até aos tempos do Gregoriy Sinait também diziam para não manter na mente nem imagem nem pensamentos durante a realização da prática espiritual. E não importa, se são boas/bons ou más/maus... Ou seja, mesmo se não forem más/maus, não podes te concentrar neles/nelas. E o teu apelo deve ser, ou seja a atenção, sobre o conteúdo interno da essência, ou seja a perceção pelos sentimentos do Mundo Espiritual.

T: Isso é muito importante para os praticantes... sobre os pensamentos, que não importa, se são bons ou maus. São – pensamentos! As pessoas têm uma compreensão desta pergunta do género: «Se durante a meditação vêm bons pensamentos, isso não é nada de mal? É que eles são bons». Bem isso provavelmente deve-se ao facto de que, em algumas religiões eles dizem de uma forma, noutras de outra, em geral... só dizem. Mas aquele, que procura o seu caminho, ele como regra, procura por todo o lado. E a consciência começa imediatamente a misturar tudo, e é por isso que surge esse mal-entendido.

IM: O que quer que tu faças com os teus pensamentos, é a mesma coisa que com uma caneca «colher» o oceano. Não faz sentido. Tu nunca alcançarás o conhecimento, se fores a Deus com os pensamentos. O pensamento – é parte da consciência. A consciência – é parte daquilo que chamam de Iblis ou diabo. Como é possível com um instrumento que deu o diabo, conhecer Deus? Não dá. É por isso que diziam: escute apenas o coração. Não deixes entrar o teu pensamento no sacramento de Deus. Pois não ficará de Deus, mas sim satânico. É nisto que está o senso (significado). E isto diziam aqueles, que conheceram isso.

Bem, e os outros diziam completamente o contrário: «Mente limpa, tem de haver concentração da mente. E nas práticas, define a tua mente para os bons pensamentos. E percebe (entende) só o bem, pois a mente (consciência) divide-se em duas categorias: no mal e no bem. E está aqui o senso (significado): para que estejas bem na vida, é preciso dividir: o mal tu não percebes (entendes), só percebes o bem. Mas o mal, ele vai se encaminhar até ti, e basta tu te desconcentrares do bem, novamente virão maus pensamentos e vão aproveitar-se (dominar) da tua consciência. E é por isso que é preciso manter a mente limpa. E concentrar-se só nos pensamentos positivos, e pensar o tempo todo em coisas boas. No princípio isso é difícil, mas depois vai ser melhor, melhor e melhor». Há umas religiões, que ensinam as pessoas desta forma. E toda a meditação  resume-se ao facto de que, tens de manter a tua atenção no pensamento ou no não pensar.

Sabem com o que eu comparava isso? Eu comparava com... Sem ofenças. Eu respeito e trato todas as religiões muito bem. Em todas as religiões há as «sementes» e em cada religião, qualquer que ela seja, há uma indicação do caminho, mas depois – é o «trabalho» (escolha) das pessoas. Então, o que queria eu dizer. Estas práticas eu comparava-as com uma anestesia no desenvolvimento de uma doença mortal. A pessoa, tomando o analgésico sente-se melhor, pacífico, praticamente saudável, mas durante esse tempo a doença se desenvolve mais e mais e com certeza levará à mortalidade. Porquê? Porque há anestesia, mas não há cura, por isso a doença se desenvolve livremente e invisivelmente. Isso não é correto.

Qualquer trabalho com o pensamento – é só uma «brincadeira na caixa com areia», numa material, tridimensional caixa de areia. Quer penses no bem, quer penses no mal – tu estás a pensar, tu não conheces o mais fundo/profundo. Eu daria mais uma comparação assim: tu vieste a um lago e admiras a sua superfície e suavidade. Tu conheceste esse lago, a sua profundidade, as suas águas? Até não mergulhares – tu não saberás. E para descobrir, o que há nessas águas tu precisas de mergulhar. Olhar para a água, e argumentar sobre o que nada nela (água), podes obviamente, mas tu não saberás como é na verdade esse lago. Aproximadamente assim.

J: Sim, e todas essa imagens – são como ilusões nesse lago, como a evaporação num dia de calor. E aqui temos assim um momento, que a consciência «puxa» tudo o que ela sabe. Ela substituirá sempre. Ela vai sobrepensar sempre. Ela sempre distorcerá e desenhará o que parece ser. Tudo para atrair a pessoa. E tira da tua memória tudo, o que sabe, tudo o que serve. Mas isso acontece só quando, a pessoa está na beira e não ousa entrar nessas águas, nesse lago, quer dizer ela não se mexe para a frente. Essas imagens são como forma de atrair a atenção. Ou seja, para a pessoa, que procura esse lago, elas (imagens) atraem a sua atenção. Mas para aquele, que já quer conhecer a sua profundidade, para aquele, que quer mergulhar no lago, elas já começam a distrair.

IM: Exatamente. Como já falámos, as imagens distraem. E elas, pelo contrário, «configuram» a Personalidade... O que é que acontece? Vamos considerar só – a imagem. A imagem é sempre tridimensional, e ela associa-se com algo comum para a nossa consciência na tridimensionalidade. Para a Personalidade... Mas a Personalidade percebe não apenas a tridimensionalidade...

T: Mas ela não está ativa aqui, na tridimensionalidade, certo?

IM: Sim, a tridimensionalidade é percebida (entendida) pela Personalidade apenas através da consciência. Ela por si só, não consegue perceber este mundo tridimensional assim, como nós o percebemos através da consciência com imagens. Quer dizer, obrigatoriamente qualquer imagem, vem através da consciência, ou seja, através de uma unidade intermediária.

Uma pessoa pode entrar no Mundo Espiritual por meio da consciência? Não pode. Mas a informação, os próprios Conhecimentos, eles são distribuídos primeiro através da tridimensionalidade. E quando a pessoa sente, que eles (conhecimentos) são os verdadeiros, ela começa a praticar e a libertar-se com a ajuda da própria consciência. E aqui a consciência trabalha como um intermediário, que se destrói a si mesmo.

É com isso que se diferem os Conhecimentos na sua pureza dos conhecimentos distorcidos, por exemplo. Os Conhecimentos Verdadeiros falam sempre de forma simples e apontam o caminho, não mais. Neles há a pureza, a qual sente a Personalidade. Neles guarda-se sempre a força, vinda do Espírito, que é exatamente o que transmitem os Profetas, bem, ou quem neles fala, diremos os mensageiros. Mas novamente, quando os Conhecimentos começam a ficar distorcidos, eles seduzem a mente, mas não atraem a Personalidade. A Personalidade pode ser atraída, se os Conhecimentos são parcialmente alterados, ou seja há substituições, mas insignificantes, guardando ainda a essência do que foi dito. Mas essas substituições são perigosas, elas distraem, mas ao mesmo tempo elas guardam pelo menos um pouco da essência e daquela força interior, que eles (conhecimentos) levam em si. E aqui a Personalidade tem na mesma a chance de sair.

Mas quando «acendem-se» em grande parte as imagens, quando começa a haver sede/vontade de magia ou mais alguma coisa, mas a imagem – é, em primeiro lugar, tridimensional. Atrás da tridimensionalidade está sempre a sede/vontade pela magia, a vontade de obtenção de bens materiais, forças e coisas do género. É sobre isto que falavam aqueles, que passavam este caminho, e compreendiam, em princípio, em qualquer religião. É por isso que eles aconselhavam aos seus alunos a livrar-se em primeiro lugar do terrestre, ou seja das imagens na prática espiritual, e ir com toda a sua alma, «com todo o coração», como eles chamavam a Personalidade, exatamente a Deus. Ou seja, por essa perceção dos sentimentos «lutar pelo» Mundo Espiritual, a fundir-se, conetar-se com aquele mundo, aí e a consciência cede.

Mas novamente realço que, a consciência serviu aqui como intermediário. Ou seja, quando a pessoa não tem liberdade, ela depende da tridimensionalidade e com ela (pessoa) só se pode conversar através da consciência. E aqui é importante, o que se dá e como se dá. Se os Conhecimentos dão-se puros e tudo acontece honestamente, como se diz, sem substituições, aí eles (conhecimentos) são transmitidos, e chegam à Personalidade, e a pessoa sente isso. Na maioria da vezes, a primeira coisa que a pessoa percebe – é a indignação da sua consciência. A consciência começa a fazer barulho, mas a pessoa sente. Esse sentimento de sinceridade supera a falta de vontade da consciência de perceber essa Verdade. É assim que nasce... a própria Verdade.

T: Ou seja, a consciência manipula muitas vezes, mente e trai a pessoa através das imagens. Por exemplo, tu encontraste uma pessoa, a imagem gera na tua consciência uma impressão, uma imagem. A consciência desenhou a si mesma um ideal padronizado ou, ao contrário, que «está tudo mal». Mas depois trabalho em equipa ou vida em comum com essa pessoa – e todo o ideal, a tua ilusão foi destruída pela tua própria consciência. Porquê? Porque a tua consciência descobriu, o que diz a consciência da outra pessoa. Ou seja, de uma boa maneira a pessoa se atrai pela parte espiritual da outra pessoa, mas aqui a mente interfere e inverte tudo para o orgulho e poder sobre os outros como tu. Mas se tu trabalhas sobre ti próprio e vives com outra perceção – com os sentimentos profundos, então aí tu distingues a Verdade da Mentira, essas substituições. Ou seja, a consciência diz-te e desenha-te uma coisa, mas tu já sentes completamente outra.

J: Sim, e tu percebes, que na tridimensionalidade isso são só imagens, que existem só na tua consciência e só quando, tu próprio as alimentas com a tua atenção.

T: Sim, assim na nossa sociedade está tudo construído sob uma linha de orgulho e poder sobre si mesmos, ou seja sobre o domínio da consciência... Tudo em imagens, tudo sobre algumas idéias imaginárias sobre si, sobre as pessoas, sobre o mundo em geral. Televisão, Internet... peguemos nas empresas, organizações, publicidade – tudo é acentuado nas imagens.

IM: A imagem – é o instrumento da magia.

T: Ou seja, se sobre a pessoa domina a consciência, as imagens podem servir para escravizar, porque a imagem é algo que estamos acostumados. Isto dá a compreensão, porque é que, procurando o caminho para Deus, não se deve bloquear nas imagens.

IM: Exatamente. Por exemplo, peguemos na inculturação. O que é a inculturação?

T: São só figuras/imagens... É uma adaptação de uma nova religião à cultura dos povos locais e desta forma a substituição/troca da religião tradicional por uma nova.

IM: Exatamente. Peguemos no cristianismo. O que aconteceu, quando começaram a propagandear o próprio cristianismo?

T: ... A substituição fazia-se de umas imagens/figuras para outras. Afinal, tendo em conta a história, as primeiras experiências das igrejas sobre a inculturação do cristianismo... Tudo isso começou com os sermões de Paulo, quando ele tentou implementar uma nova religião entre os gregos e os romanos. Mas quando o cristianismo tornou-se a religião oficial (primeiro de uma organização, depois dividiu-se em várias organizações), aí, por exemplo, na atividade missionária as próprias igrejas católicas em vários países, começaram a ser decoradas como? De forma, a que abordem a cultura local.

IM: Sim, isso é verdade.

T: Por exemplo, o que representavam nos ícones religiosos? Novamente figuras/imagens ... imagens das principais personagens da Bíblia: Jesus, Virgem Maria, apóstolos. É interessante, como é que eles foram retratados? Eles foram retratados com as feições de cara, que coincidiam com as com características típicas dos povos locais.

IM: Exatamente. Eles começaram a introduzir nas suas atividades missionárias determinadas substituições. Como por exemplo, a Jesus e à Virgem Maria nos países africanos introduziam os ícones religiosos como africanos, de pele escura. Era uma imagem familiar que não era rejeitada. Porquê? Porque os brancos seriam, diremos rejeitados pela maioria. Só alguns, sentindo, que nesse ensinamento há sementes da verdade, podiam ir... Em relação àquilo, que a organização religiosa – é em primeiro lugar uma organização, e para ela é importante a massa de pessoas, por isso implementavam-se substituições dessas, onde os santos já eram entregues como pessoas negras. Eles eram próximos, eles eram percebidos pelo povo africano, e eles o aceitavam com facilidade.

A inculturação ía não só na substituição das imagens, mas e em muitos feriados de certas religiões, dos quais se substituía pelo cristianismo. Eles parcialmente tiravam os rituais dessas religiões, que dominavam nesses territórios, onde se implementava o cristianismo. Bem e dessa forma seduziam, simplesmente, aquelas pessoas, nos territórios onde ocorria exatamente a introdução do cristianismo, ou seja no sentido literal da palavra ocorria a introdução.

T: Sim, há muitos exemplos... As mesmas árvores de Natal dos antigos eslavos, que já sob a influência do cristianismo começaram a ligar com os rituais de natal, atributos que eram a vela, como o fogo da vida da pessoa, e o espelho. E não só no cristianismo que há feriados/festas dessas, que foram emprestadas de religiões mais antigas.

Por exemplo, nos países da Ásia Central, onde tradicionalmente pratica-se o islamismo, comemora-se a festa - Navruz- Bayram, ou seja o Ano Novo. É uma das festas mais antigas. Ela comemora-se na noite anterior do dia do equinócio de primavera. E o que é interessante, que esta festa todos os anos comemora-se em homenagem ao ressuscitamento de debaixo da terra do Bom Espírito, que traz a luz, e a derrota do Mau Espírito. Quase como a Páscoa moderna. É interessante, que um dos atributos principais da mesa são as velas, espelho e ovos pintados. Todos eles têm uma simbologia, e esse significado está relacionado com a interpretação espiritual desses símbolos. Por exemplo, a vela – é o fogo interno da pessoa, a sua vitalidade, o ovo simboliza a origem/nascimento da vida espiritual da pessoa. E a festa Navruz comemorava-se ainda na época do apogeu de uma antiga religião, o zoroastrismo, que antecedeu o cristianismo e o islamismo.

 

VIDEO Nº5

«A vida não pode ser temporária, temporária pode ser só a existência».

Rigden Jhapa

Este mundo temporário é uma ilusão da interseção dos espelhos que chama a atenção da pessoa para o falso realismo das sombras, no seu jogo de contemplação mútua. São muitas reflexões dos espelhos, que constituem a essência do mundo ilusório – o mundo de múltiplas pseudo-cópias. Esses espelhos, girando, só distorcem a luz refletida e não são a luz na sua essência. A ilusão ocorre da sedução da pessoa pelos desejos deste mundo, a sua falta de vontade de entrar na verdadeira realidade. As reflexões são mais, elas seduzem a vista da pessoa, concentrando a sua atenção no que é morto. O verdadeiro começo (inclusão/acumulação da força Allat) comparavam com uma vela acesa. Mencionava-se, que assim que a vela acesa desaparecer, tudo o que se vê desaparecerá e se transformará em nada. A vela – é a chama permanente, os espelhos – é uma permanente reflexão. Tudo é uma reflexão de algo, consequência e causa. O que mais chama a atenção da pessoa na sua vida: um jogo de reflexões com os espelhos do mundo material ou uma verdadeira fonte espiritual – uma parte daquele que em resultado ele e tornar-se-á. Só aquele, quem não está ligado ao visível, cuida da alma. («Física primordial ALLATRA», allatra-science.org).

T: É assim que as coisas acontecem na história... As inovações constantes do que foi bem esquecido, quando uma religião substitui outra, mas ao mesmo tempo, pretende ser única.

IM: Novamente, isso é bom ou é mau? Por um lado, podemos dizer, que é mau, mas por outro lado, se olharmos – o que tem aqui de mal? Uma religião é substituída por outra. A pessoa é livre para escolher, a quem servir e como se comportar. E novamente quem fazia isso? As pessoas. Para quê? Para popularizar a sua crença. Ou seja, de boas motivações utilizavam certos instrumentos da tridimensionalidade, para alcançar certos objetivos.

Mas se isso é mau ou bom, cada um tem julgar por si. Eu, por exemplo,  sinceramente, não vejo nisso nada de mal. Por um lado, eles substituiam as religiões, que foram estabelecidas, para as suas religiões, mas isso são organizações. Se nós desenharmos uma paralela com uma qualquer organização... Vamos pegar numa organização, que produz roupa desportiva: em todo o lado o seu logótipo, popularização, a publicidade da sua roupa. Se há num determinado território algum famoso ou uma pessoa conhecida, é o suficiente vesti-lo com a sua roupa desportiva, e as pessoas começam a imitá-lo. É natural, e novamente, nós voltámos aos primatas, à forma como trabalha a consciência.

Simplesmente se utilizava um instrumento, a consciência. Mas quem utilizava? As pessoas, que primeiro se preocupavam para que as suas organizações florescessem e espandissem-se, da mesma forma, que por exemplo, as organizações, que vendem roupa desportiva ou a produzem. O que se pode querer das pessoas? É bom isto, é mau? Para a organização – isso é bom, mas para as pessoas, que recebiam esses conhecimentos? Mas se elas (pessoas) recebiam esses conhecimentos e não os utilizavam, e como eu já disse, não há más religiões, todas as religiões são boas. Em qualquer religião, como em qualquer organização, há más pessoas, que servem diretamente ao oposto, não correspondendo com a sua religião, não correspondendo com aqueles Conhecimentos, que foi dados/ditos nessa religião. Mas novamente, eles são só escravos do sistema, eles são só escravos de satanás, o que se pode fazer? As pessoas são pessoas.

T: Sim, infelizmente, mas nós vivemos numa sociedade de consumismo, onde o caminho espiritual natural de cada pessoa, é limitado, na melhor das hipóteses, pelas barreiras de uma determinada religião local. Mas as religiões, elas também estão enquadradas numa determinada organização e, consequentemente, a sua popularização numa sociedade de consumismo vai não através da perceção espiritual das pessoas, mas sim através de imagens, através dos desejos das pessoas. É por isso que até agora existe o fenômeno da inculturação...

IM: Bem, se olharmos mais a fundo, o que é a inculturação? Bem, se nós tirarmos tudo... É um movimento publicitário, só isso. É um desenvolvimento natural de uma ou outra organização.

 

VIDEO Nº6

Vídeo sobre a inculturação do cristianismo no mundo. Nele mostram-se ícones religiosos de vários países do mundo com as imagens da Virgem Maria, Arcanjo Gabriel, Jesus Cristo, santos cristãos, cujas feições coincidem com as características fenotípicas externas de uns ou outros povos. São dados exemplos de artes (quadros) do cristianismo da África do Norte, da Ásia, da América do Norte e outras partes do mundo. Menciona-se que no mundo existem mais de 700 diferentes imagens de Maria. São dados partes do texto da Bíblia no dialeto chinês hakka, em árabe, hindu e outros.

T: Igor Mikhailovich, sei da própria experiência, que pode surgir uma pergunta assim, porque no meu tempo a informação sobre a inculturação foi para mim, sinceramente, um choque. Porque tu, de repente, em si mesmo descubres, que a tua consciência acreditava firmemente, que por exemplo, Jesus ou Maria parecidos ao teu povo, que eles são exatamente assim, como tu os vias na infância nos icones religiosos. Ou seja, tu acreditavas nisso, isso te servia (não questionavas sobre o assusnto), mas é com isso que tu te limitavas. Bem, podemos dizer, que por causa da própria preguiça e do próprio orgulho, mais longe no teu conhecimento espiritual não foste. E é por isso que os modelos da consciência entraram em colapso. E a consciência começou logo a procurar, quem poderia ser acusado disso no exterior. Mas, graças a Deus, ía o trabalho sobre si mesmo, e houve certos entendimentos sensuais, e graças a isso tu percebes, que o teu inimigo está dentro de ti, que a consciência te limitava, que ela obrigava-te a acreditares nas imagens, e não procurares a essência espiritual, sobre e o que se falava no Ensinamento dessa religião.

Mas aí ainda tinha/ficava uma pergunta. Quando eu pela primeira vez soube, que não se trata de imagens, aí eu enfrentei assim um pensamento modelo da consciência: «Como assim? Isto é o próprio Jesus! Isto é a própria Maria! Como é que eu vou expulsá-los das minhas orações, isso não é correto».

IM: Quando a pessoa executa alguma prática, ou chega-lhe alguma imagem de algum santo, ela vem numa imagem tridimensional, então não te distraias. E muitos santos falavam sobre isso, mesmo se à tua frente aparece a imagem de Jesus ou Maria – expulsa essa imagem. Não afugentes a eles, mas sim a imagem. Porquê? Porque a consciência vai expôr isso como uma imagem. Isso quer dizer, que a essência dessa imagem é – distrairte. Quer dizer, a pessoa não se encontra no estado espiritual, mas apenas num estado alterado da consciência. E essa imagem tridimensional não é nada mais que, uma ilusão, mesmo se dissermos coisas corretas. Mas o subtexto vai ser, obrigatoriamente, em detrimento para a pessoa, e não em benefício. E quando a pessoa está numa prática espiritual, ela (tanto homem como mulher) percebe/entende até os mesmo representantes do Mundo Espiritual, ela (pessoa) sente-os, ou seja não há uma forma tridimensional exata.

J: Ou seja, aqui ela (pessoa) já sente, e não vê.

IM: Ela sente.

J: A sua atenção já não é redirecionada...

IM: Claro.

J: E às pessoas não é dito, por exemplo, que a Nossa Senhora – é um espiríto. O que é na realidade a Nossa Senhora? Porque se perdeu o conceito de «Espírito», então fica só a compreensão material, a compreensão de que, é «Mãe», que é «proteção e cuidado». E aqui a consciência joga um mau papel com as pessoas, porque ela promove ativamente as imagens através das mesmas religiões, como um elemento da magia. Ou seja, lá onde as pessoas devem verdadeiramente aprender a perceber a capacidade de viver do Mundo Espiritual, o mundo de Deus, sentimentos profundos, acontece que é completamente outra história. As pessoas ficam presas nas imagens e além dessas imagens simplesmente não se movem, porque a consciência nesse momento tenta concentrar a força da atenção da pessoa sobre esta substituição – na magia. Ou seja, a pessoa apelando para as imagens desenhadas por outras pessoas, começa a pedir para si algo terrestre (material).

IM: Correto.

T: Quando comecei a estudar essa pergunta, vi de uma nova maneira e os Conhecimentos do livro «AllatRa», percebi, que originalmente no início do cristianismo, praticamente não havia imagens/figuras, haviam só sinais e símbolos.

IM: Correto, e é por isso que na religião atualizada, introduzida pelo profeta Maomé, dizia-se claramente que «não criem nenhuma imagem», e eles afastavam-se das imagens. Porque é que são proibidos os ícones religiosos, imagens do próprio Maomé e tudo o resto? Para que a consciência não crie imagens. É preciso perceber com os sentimentos, conhecer através da perceção pelos sentimentos. Foi isso que Maomé ensinava os seus alunos: perceber sentimentalmente o Mundo Espiritual e os representantes do Mundo Espiritual. Mas não visualmente, não com uma visualização, não com a ajuda de alucinações. É nisso que está a essência.

T: Sim, no próprio islamismo não reconhecem as imagens e a decoração dos santuários. Os muçulmanos fazem padrões e desenhos abstratos...

IM: Completamente correto.

T: ... Utilizam para isso epítetos, nomes de Deus ou poemas do Alcorão da letra árabe.

IM: Correto, os próprios muçulmanos dizem que, aqueles, que pensam, que Alá tem aparência, quer seja luz, jovem ou velho – eles não conhecem o Alá Todo-Poderoso, eles não sabem, que isso é só a imaginação deles que está a imaginar, ou seja a ilusão deles, não existindo na realidade. E o problema dessas pessoas é, que elas não percebem a existência sem corpo, por isso e atribuem teimosamente a Alá da mesma forma, um corpo e propriedades humanas. Mas no Alcorão está dito, que «Não há nada semelhante a Ele» (quer se dizer a Alá)...

J: Sim... Deus, Ele não tem limite, para puder O imaginar e compreender a Sua natureza mentalmente.

IM: Qualquer coisa que tu procures nos teus pensamentos, tu não conseguirás encontrar forma, para descrever a «cara» Dele, porque não tem Ele «cara», Ele é tão esplêndido, que não há nada como Ele...

 

VÍDEO

Qualquer coisa que tu procures nos teus pensamentos,

tu não conseguirás encontrar forma,

para descrever a «cara» Dele,

porque não tem Ele «cara»,

Ele é tão esplêndido,

que não há nada como Ele...

T: Em princípio, agora é dada uma explicação mais ampla, o que são os retratos nos ícones religiosos da própria Virgem Maria e o que é a Nossa Senhora na verdade, como Espírito. Mas aí ainda havia uma questão da consciência: «E como é que...as pessoas vêm imagens da Mãe de Deus por todo o mundo?»

IM: Porque é que o sistema muitas vezes utiliza as imagens? Porque, praticamente por todo o mundo as pessoas mentalizadas religiosamente, até mesmo e não mentalizadas religiosamente, várias vezes têm visões dos representantes do Mundo Espiritual. Ou seja nas imagens familiares. Muitas vezes vêm a Virgem Maria, como ajudante rápida, mas novamente na maioria das vezes isso é exatamente a criação da antípoda de Maria. Ou seja a consciência utiliza uma imagem familiar para, consolidar as pessoas precisamente no material. E reparem, a pessoa está num estado doente, vai orar, para ela vem a imagem de Maria, e ela (pessoa) cura-se. O que vai acontecer com essa pessoa? Ela passa a ter mais fé... fé na consciência, mas com as dúvidas lá dentro. E a pessoa não vai desenvolver-se espiritualmente sozinha, ela fica presa exatamente nesse momento, que ela foi escolhida, que ela foi eleita, para ela vieram, ela foi salva. Se a pessoa recuperou-se da doença, ela está salva?! Uma simples pergunta. Ela o quê... já não morrerá? Ela tornou-se imortal? Isto é um truque da consciência. O que nele surgirá? Nele surgirá, sim – fé, sim – compreensão, mas e medo. Medo, o qual não o deixará entrar no Mundo Espiritual.

Ela (pessoa) pedia o quê? Riqueza material, resolução de uma situação conflituosa, melhoria de vida. O que é que ela ao fim ao cabo recebeu? Essa oportunidade. Mas o que é que acontece agora? O medo de perder. O que dificulta? O medo. Tem essa possibilidade? Tem. Mas o medo do desconhecido, mas o medo, que vem de quem? Da consciência, daquela, que á frente do ícone religioso pediu ajuda. E é com isso que a bloqueia.

J: Atitude de consumidor perante o Mundo Espiritual. Ou seja, ela (pessoa) vai pedir mais uma vez, se ela...

IM: Obrigatoriamente, ela vai pedir sempre. Ela não vai fazer sozinha. Para quê criar algo sozinho, se pode-se pedir e obter? Assim é mais fácil.

Mas acontece e assim: a pessoa realmente sente a intervenção... A pessoa, que tem de fazer algo na sua vida, algo de bom, ou ela (pessoa) está á porta, diremos, perante a escolha, ela sente a presença. E ela percebe, que isso é a influência de Maria, exatamente dela. Mas ela não vê a imagem tridimensional. É uma persecão sentimental. É nisto que está a essência: a perseção sentimental, e já quando vai a magia. Mas a magia, ela sempre vem do sistema. Ela (magia) não vem do Mundo Espiritual. O Mundo Espiritual não precisa de magia. Porque é que ele haveria de interferir neste mundo?

Existe uma intervenção direta, são casos raros excecionais, mas na maioria das vezes é simplesmente, diremos, crédito de confiança, vamos chamar isto assim. É a manifestação daquela força, que vem como ajuda exatamente às pessoas para o desenvolvimento espiritual como Personalidades, quando ela se pode sentir mesmo a nível físico. Isso é para ajudar as pessoas. Mas muitas pessoas utilizam essa força para o desenvolvimento em si mesmos de habilidades/poderes metafísicos. Novamente, eles invertem isso tudo para o mal. Porque é que eles invertem isso tudo para o mal? Ditado da consciência. Será que ela (pessoa) como Personalidade não sente e não percebe, que estas gotas de orvalho vivificante devem ser guardadas e utilizá-las pelo caminho através do deserto?

T: ...Ou seja, multiplica-las.

IM: Correto. Ou seja elas não devem ser só guardadas, mas e passar este caminho graças a elas. Mas a consciência logo aqui desconcentra e diz: «E que tal investires aqui – a pessoa investiu, viu o efeito. – Vês – resulta! Tu conseguiste obter algo na tridimensionalidade». Mas o que podes tu obter aqui, que vai ficar contigo? Nada. É tudo uma ilusão, é tudo temporário. Uma nova imagem na tua consciência. É assim que trabalha a consciência.

T: Ou seja, obriga, como disse, continuar a retomar e retomar novamente à Fonte...

IM: ...quere-a, essa Fonte. E a pessoa procura essa Fonte, não se tornando ela (fonte), mas procurá, para novamente pegar e utilizar na tridimensionalidade.

J: Vem para buscar força extra.

IM: Correto, acumulação de forças, não mais. Isso dá-se em casos extremos, quando isso é preciso para ajuda das pessoas, mas não mais. Porque é que raramente se utilizam estes instrumentos e na realidade raramente se dão? Porque as pessoas muitas vezes utilizam isso em primeiro lugar na tridimensionalidade, e não para o crescimento espiritual. Bem às vezes isso utiliza-se apenas como uma confirmação, ou como «selo» era chamado. Ou seja, «selo de força» - é aquilo, que se manifesta...

 

VIDEO

Do inevitavelmente morto para o eternamente vivo.

  
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